sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sola Scriptura: a farsa desmascarada PARTE 08



II – O que Lucas ensinou sobre Sola Scriptura?
A resposta é a mesma que demos quanto ao apóstolo Paulo: nada. Como Paulo, Lucas, realmente, nada ensinou sobre Sola Scriptura. Ao contrário, ensinou totalmente o contrario. Vejamos o texto inicial desse evangelista comentado pelo articulista protestante:
Ainda antes de escrever os quatro evangelhos, conforme afirma Lucas no introito do seu evangelho, muitos tentaram escrever sobre Jesus: “Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós” (Lc 1,1). O próprio Lucas reconhece que antes de escrever o seu evangelho endereçado a Teófilo, ele consultou pessoas que foram testemunhas oculares da pregação de Cristo (Lc 1,3).
Sendo assim, Lucas demonstra explicitamente que seus escritos basearam-se na Tradição oral dos apóstolos. Na tentativa de escapar da força da afirmação de Lucas, Paulo Cristiano alega que embora o prefácio desse evangelho subentenda “que na época já havia histórias da vida de Jesus sendo transmitidas oralmente, Lucas não diz a Teófilo para se apoiar nelas, muito menos confiar nelas.” E depois acrescenta os argumentos, que como se vê atrás, não respondem satisfatoriamente a nossa afirmação acima.
Toda a objeção de Paulo Cristiano não explica, como vimos, por que Lucas baseou-se na Tradição oral, conforme ele mesmo confirma ao dizer “como no-lo transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares” (v. 2) e ainda “também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio…”. O testemunho oral dos apóstolos foi, realmente, o guia mestre do relato de S. Lucas. Mais: o evangelista aqui está dizendo que muitos tentaram escrever acerca de Jesus, mas que tais escritos não são totalmente fidedignos porque não se basearam na Tradição recebida dos apóstolos, testemunhas oculares da vida do Senhor. Ele, ao contrário, pesquisou diligentemente, ou seja, conseguiu das testemunhas oculares a verdade sobre Cristo e essa verdade ele passou a Teófilo.
Sendo assim, Lucas admitiu, realmente, que havia inúmeras tradições sobre Cristo, inclusive escritas, mas acrescenta que as verdadeiras são apenas aquelas colhidas diretamente das testemunhas oculares, no caso os apóstolos. Como se vê, o evangelista não nega a autenticidade da Tradição, mas apenas distingue a verdadeira Tradição recebida dos apóstolos daquelas meras especulações. Assim, Lucas está duvidando da autenticidade dessas especulações, não da Tradição oral, na qual ele afirma categoricamente ter se baseado para fazer seu relato. Lucas, então, não diz a Teófilo para se apoiar nestas tradições falsas, muito menos confiar nelas, mas não nega a autenticidade da verdadeira Tradição.
Observemos que Lucas questiona a veracidade não só de algumas tradições orais como também de algumas escritas, o que demonstra que para Lucas o problema não é a Tradição, mas a procedência dessa Tradição. Oral ou escrita, só conserva a autenticidade se provier dos apóstolos: “que vos aparteis de todos os que andam em desordens e não segundo a tradição que receberam de nós” (2 Tes 3,6). E isso é exatamente a fé da Igreja Católica.
Outro detalhe: Em nenhum momento Lucas está desvalorizando o oral, senão seria contradição. Ele mesmo baseou-se no oral para escrever. O que ele diz no versículo 4 é que escreveu, confirmando para Teófilo a autenticidade do que este recebeu oralmente. Após colher essas informações dos apóstolos e antes mesmo de escrever elas eram fidedignas. O evangelista está, pois, dizendo: Teófilo, das muitas coisas que você ouve ou lê sobre Nosso Senhor, verdadeiras são apenas estas que vou te passar agora, porque as colhi dos próprios discípulos diretos de Cristo, ou seja, porque colhi da autêntica tradição. Não porque as escreveu, obviamente. Notemos que, segundo Lucas, o que autentica o escrito é a procedência da Tradição da qual se colheu o que foi escrito. Assim, o Evangelho lucano é veraz porque está embasado na verdadeira Tradição, a Tradição dos apóstolos, os ouvintes diretos do Senhor. Não é o escrito que dá validade ao oral, mas o contrário: é o oral que autentica o escrito.
Aconteceu aqui exatamente o que ocorreria nesta suposição a seguir: imaginemos que sobre o presidente da república fossem levantados vários boatos. Um pesquisador, no entanto, diante de tantos comentários decidisse investigar os fatos e depois de uma completa averiguação escrevesse tais fatos para alguém, dizendo que o que ele vai narrar é a verdade, pois ele fez uma minuciosa investigação. Perguntamos: está esse pesquisador afirmando que seus escritos são a única fonte verdadeira ou está dizendo que o escrito e o que foi colhido das testemunhas constituem essa fonte fidedigna?
Não se vê que o escrito apenas confirma a veracidade do testemunho ocular?
Note-se que Lucas não escreveu seu evangelho para invalidar a Tradição que recebera, mas apenas para confirmar, como vimos, a veracidade desta mesma Tradição. Isso é apenas a confirmação das palavras de Paulo em 2 Ts 2, 14.15 que diz que o oral e o escrito devem ser conservados.
Além disso: Lucas não está dizendo que o oral só é reconhecido como autêntico quando vem escrito, pois com certeza os ensinos citados eram autênticos, mesmo antes de serem relatados ou mesmo que não o fossem. Ou será que Lucas colheu erros dos apóstolos e os transformou miraculosamente em verdades? Ou será que os apóstolos só falaram a verdade ao escreverem? E suas pregações? Eram falsas? E o que dizer de 1Ts 2, 3.4, no qual S. Paulo claramente afirma a infalibilidade de suas pregações orais?
Ainda: a afirmação de que Teófilo não conseguiria sozinho distinguir a verdadeira da falsa tradição, não é um tremendo golpe no livre-exame? E por consequência na Sola Scriptura, já que aquela está embutida nesta? Por que Lucas teve que investigar essas verdades dos apóstolos? Não prova isso uma submissão à autoridade apostólica?
Afirmar que somente pelo escrito é que Teófilo conheceria a verdade, complica a situação do pastor, pois leva-nos a perguntar: e a situação do próprio Lucas? Se o oral não é fidedigno, por que Lucas baseou-se nele? Além disso, se Teófilo só conheceria a verdade sobre Cristo pelo escrito, e Lucas, por que esse evangelista descobriu essa verdade, passada a Teófilo, pela via oral, quando ainda não havia escrito o seu Evangelho?
Se Lucas está desconfiando de algo, e de fato está, esse algo não é a Tradição, mas as tradições orais e escritas daqueles que não levaram em consideração a Tradição dos apóstolos. Logo, Lucas não desmerece a importância da Tradição apostólica para aquilo que ele compôs. A preocupação de Lucas é exatamente a mesma de Papias, escritor do 2º século: ”Não andei procurando inovadores de idéias peregrinas, mas o código divino da fé, promulgado pela mesma verdade. Se eu me encontrava com quem tinha convivido com presbíteros, procurava conhecer-lhes as sentenças, o que tinham dito André ou Pedro, Filipe ou Tiago, João ou Mateus, ou algum outro dos discípulos do Senhor. Estava persuadido de que o proveito tirado das leituras não poderia estar em confronto com o que eu conseguia da palavra viva e sonora” (Euseb., Hist. Eccl. 3, 39, Migne, 20, 297). Esse testemunho de Papias bem como o de Lucas contradizem totalmente a Sola Scriptura, pois esta nega a Tradição como suporte para a escrita. Em outras palavras, eles estão dizendo que o escrito e o oral são dignos de credibilidade.
Um outro detalhe importante nesse contexto de Lucas é o que ele afirma no 3º versículo “também a mim, me pareceu bem…escrevê-los para ti…”. Ora, se Lucas pretendeu escrever um livro que segundo os solascripturistas seria a única regra de fé, por que, porém, o evangelista diz que escreveu tão somente porque lhe pareceu bem? E mais: e por que ele escreveu para uma pessoa particular, no caso, Teófilo, e não para a Igreja inteira? Não se vê o caráter circunstancial do escrito lucano? Não se vê por aí que o evangelista não escreveu para fazer um livro que se tornaria a única regra de fé?
Quando o Evangelista diz no versículo 4 que escreveu para que Teófilo “tenha solidez dos ensinos que ele recebera”, não está dizendo que somente o escrito daria solidez à fé de Teófilo. Lógico que não. Qualquer leitor vê que isso não pode ser concluído do texto. Primeiro, notemos que Lucas fala em ensino que Teófilo já havia “recebido”, o que prova o caráter oral e autoritativo da mensagem cristã. Segundo, observe-se que o Evangelista está apenas dizendo que escreveu, baseado no testemunho dos apóstolos, testemunhas oculares, para confirmar a veracidade daquilo que Teófilo já recebera via oral. E o que garante a veracidade do que Lucas escreveu? O escrito por si só? Não! O que garante a veracidade de seus escritos é a fonte na qual ele se fundamentou: o testemunho oral das testemunhas oculares, a saber, os apóstolos.
Logo, Lucas também não ensinou Sola Scriptura. E se nem Lucas nem Paulo ensinaram Sola Scriptura, então, essa doutrina não é bíblica. E se não é bíblica deve ser rejeitada, pois como enuncia o próprio conceito sola scripturista: só é aceitável aquilo que consta na Bíblia.
Portanto, adeus Sola Scriptura !!!!!!!!!

Sola Scriptura: a farsa desmascarada PARTE 07



O que ensinou Paulo e Lucas sobre Sola Scriptura - Uma resposta ao Cacp
I – O que Paulo ensinou sobre Sola Scriptura aos Coríntios?
O contexto maior de I Cor 4:6 vai do capítulo 1 ao 4. O contexto é claro em mostrar que naquela época a comunidade de Corinto estava começando a seguir os homens em vez de seguir a Palavra de Deus. Por isso houve até divisões dentro da igreja por essa causa, pois um grupo dizia “…Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo.” [1.12] Não é isso o que acontece hoje com os católicos romanos quando se ufanam em dizer que pertencem à cátedra de Pedro? Com isso eles estão violando o que Paulo disse aqui.
Gostaríamos de alistar aqui quatro textos que formam uma unidade contextual e prova que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras ao invés de seguir as tradições humanas, são eles Mt 16:18 + I Cor 1:10-13 + I Cor 3:5-17 + I Cor 4:6.
1. “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” [Mt 16:18]
2. “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele.” [I Co. 3.10]
3. “11 Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” [I Co. 3.11]
4. “Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito…” [I Co. 4.6]
Observe que Paulo não disse, ” para que em nós aprendais a não ir além das tradições orais que vos temos dado”. Ao invés disso Paulo coloca toda ênfase nas Escrituras.

Junta-se a isto o fato de que nesta época (c. 54 d.C) apenas uma porcentagem do NT estava escrita. Somente por volta de 90-100 é que completou o cânon do NT. Mesmo assim Paulo não incentivou a igreja a confiar na tradição oral, mas nas Sagradas Escrituras. Mas voltando ao assunto, veja que Paulo aplicou metaforicamente a ele, Apolo e outros líderes como Pedro, as figuras de “lavrador” e “construtor”.

Agora vamos fazer a conexão: Jesus disse que era a rocha (fundamento) e que sobre Ele mesmo iria edificar ou construir sua igreja. Paulo diz que este trabalho [de edificar sobre o fundamento] caberia aos líderes das igrejas como ele mesmo, Apolo, Pedro e outros. Mas não era para os cristãos depositarem sua fé nas figuras [os apóstolos] mas na Palavra escrita. Não era Pedro ou Paulo, não era uma suposta tradição oral, mas era a Palavra escrita que não era para ser ultrapassada. Jesus pretendia construir ou edificar sua igreja através do ensino da sua Palavra e não através de Pedro ou Paulo.
Jesus disse, “sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” e Paulo recomendou ao edifício que é a igreja a não exceder as Escrituras.
II – O que Lucas ensinou sobre Sola Scriptura?
“Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver investido tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem. Para que tenhas plena certeza das coisas em que foste ensinado.” [Lucas 1.1-4]
O prefácio do evangelho de Lucas subentende que na época já havia histórias da vida de Jesus sendo transmitidas oralmente. Mas note que Lucas não diz a Teófilo para se apoiar nestas tradições, nem tampouco confiar nelas. O que tudo indica que naquela época as informações sobre a vida de Jesus e seus ensinamentos não eram totalmente seguras. Então ele diz a Teófilo que após investigar cuidadosamente os fatos resolveu escrever uma narração em ordem sobre a vida do mestre para que seu amigo pudesse ter “a plena certeza” das coisas em que foi ensinado.
Lucas 1:1-4 mostra claramente a superioridade da Palavra escrita sobre a tradição oral que os católicos tanto defendem.
Pense bem, se a tradição oral pudesse por si mesma transmitir a certeza das coisas, não haveria necessidade de Lucas colocar em forma escrita o evangelho! Obviamente havia muitas tradições orais diferentes além das palavras dos apóstolos. Teófilo não era capaz de discernir por si mesmo quais destas tradições orais eram verdadeiras ou não. Unicamente através da Palavra escrita, Teófilo pode saber a verdade acerca de Cristo.
Fonte: Traduzido e adaptado de diversos sites pela equipe do CACP.
Nossa Resposta:
Meu Deus, não sei como é que diante de tantas passagens paulinas e lucanas que claramente enunciam a autoridade da Tradição e da Igreja pode alguém ainda ter a ousadia de afirmar que esse apóstolo e esse evangelista eram solascripturistas. Para cometerem esse grande absurdo, claro, terão que desvirtuar o verdadeiro sentido dos textos bem como isolar outros. Não há outra saída. É o que acontece com os artigos do Sr. Paulo Cristiano, presidente do Cacp. Mas analisemos as objeções desse pastor:
I – O que Paulo ensinou sobre Sola Scriptura aos Coríntios?
A resposta é curta: nada. Nada esse apóstolo ensinou sobre essa heresia. Ao contrário, inúmeras vezes ele testemunhou a autoridade da Tradição e da Igreja.
Os 4 textos citados (Mt 16,18 + 1 Cor 1,10-13 + 1 Cor 3,5-17 + 1 Cor 4,6), que juntos, conforme a pretensão do pastor, provariam a falsa doutrina da Sola Scriptura, realmente nada provam em favor dela. De fato, o primeiro texto, como todos já sabemos, demonstra, contrariamente aos anseios de Cristiano, a primazia de S. Pedro.
A pedra ali só pode ser Pedro, pois todo o contexto gira em torno dele. E é regra de hermenêutica não isolar o texto do contexto. É claro que o fundamento primário é o próprio Cristo. É dele que emana a função petrina do apóstolo Pedro. Por isso, os dois outros textos enfatizam Cristo como o fundamento da nossa fé. O que não contradiz a primazia do filho de Jonas. Em outro lugar da Escritura se diz que Cristo é luz e depois a mesma Escritura diz que os cristãos também são luzes, sem haver contradição nisso (Jo 8,12; Mt 5,14). Os discípulos são a luz do mundo quando iluminados pela luz do Cristo. Assim também, Pedro é pedra, o fundamento da Igreja por ser ele dirigido e sustentado pela firmeza, pelo fundamento maior, Jesus Cristo. Não há, portanto, nenhuma contradição nisso.

Quanto ao último texto, é evidente que o apóstolo Paulo não pretende aí contradizer aquilo que ele dizia em inúmeros outros textos a favor da Tradição (1 Cor 11,3; 2 Ts 2,15 e 2 Tm 2,2, p. ex.). Além disso, não estava o apóstolo orientando os coríntios a rejeitarem a Tradição quando naquela época ainda não se tinha o NT como o temos hoje. Nem sequer todos os escritos do NT estavam redigidos.
Juntando-se esses 4 textos, eles provam apenas que devemos ter o Senhor Jesus como o centro de nossa fé e que devemos, pois, crer em tudo o que ele diz, inclusive no primado do apóstolo Pedro.
Afirma o pastor que esses 4 textos provam que “que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras ao invés de seguir as tradições humanas,” Não negamos que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras, e isso a Igreja sempre o fez também. Mas o Cristiano terá que convir que nesses textos não se fala da necessidade das Escrituras.
Principalmente no sentido que pretende o pastor cacpista. Diz o pastor adiante que Paulo rejeitava “tradições humanas”. Mas isso, pastor, a Igreja Católica também o faz. É claro que tradições humanas devem ser rejeitadas. Justamente por isso é que a Igreja rejeita a Sola Scriptura porque ela é uma tradição humana. Ela é uma inovação doutrinária surgida apenas no século XVI. Agora, se Vossa Senhoria pretende dizer que a Tradição da Igreja de Cristo é tradição humana, então, aí é que está o seu grande equívoco, pois até agora nunca, nunquinha, vi um defensor da Sola Scriptura provar convincentemente o que vocês contraditoriamente afirmam.
Mais, pastor: como Paulo estaria orientando os coríntios a se apegarem apenas ao que estava nas Escritura e rejeitando qualquer Tradição, se ele considerava suas pregações orais infalíveis (Gl 1,11; 1Tes 2, 3.4.13) e se ele em outro momento recomenda a guarda das tradições escritas ou orais (2Ts 2,14.15)? Você está querendo dizer que o apóstolo Paulo se contradiz? Ou pior: está dizendo que o Espírito Santo, verdadeiro autor das Escrituras, se contradiz?
Quanto ao argumento tirado de 1Cor 1, 12 nada depõe contra nós. Ao contrário, depõe contra os solascripturistas os quais estão divididos em diversas igrejas, e justamente por causa da Sola Scriptura. Repetimos a pergunta do apóstolo: “está Cristo divido?”, pergunta presente logo no versículo seguinte: o 13. Nós católicos reconhecemos que somos de Cristo, e tão somente dele. Só que aceitamos de Cristo o primado de Pedro, instituído por ele mesmo, conforme se lê no próprio texto de Mt 16,18, citado no texto de Cristiano. Paulo aqui não nega a primazia petrina, como pretende o presidente do Cacp. O que o apóstolo está questionando é nos dividirmos por causa de preferência por certos apóstolos, quando o importante é Cristo. Além disso, não fomos nós católicos que nos dividimos, mas os protestantes que se dividiram de nós. Logo, o texto mais uma vez critica os solascripturistas.
Se eu fosse Paulo Cristiano, jamais lembraria que 1 Coríntios fora escrito em meados de 54 d.c, portanto, antes de diversos escritos do NT, pois isso é um fortíssimo argumento contra a doutrina que ele pretende defender. De fato, perguntamos ao pastor: você acha que os coríntios entenderam essas palavras de Paulo como a enunciação da exclusividade da Escritura de que dispunham na época? Mais grave: você acha que o apóstolo pretendeu convencer os coríntios de que os escritos da época deles era a verdade exclusiva de Deus? Se for assim, como Paulo conseguiu convencer depois esses mesmos coríntios que os escritos que vieram depois também eram palavras de Deus? Não dissera ele antes que apenas aquilo que tinha surgido até 54 d.c é que era Palavra de Deus? Como é que agora vem convencê-los de que surgira mais palavras inspiradas? Mais ainda: como é que depois de 54 d.c tem esse apóstolo a coragem de dizer que suas pregações orais são infalíveis (Gl 1,11; 1Tes 2, 3.4.13)?
 Logo, São Paulo não ensinou Sola Scriptura.

Sola Scriptura: a farsa desmascarada PARTE 06



Hoje, por exemplo, umas igrejas exigem o rebatismo, outras não o exigem. Umas admitem o batismo de crianças, outras recusam-no; umas admitem o batismo por aspersão, infusão e imersão; outras admitem só por imersão. Há denominações que negam a presença eucarística; outras acreditam que o pão é realmente o corpo de Cristo. Umas creem na Trindade, outras dizem que essa doutrina é pagã. Umas guardam o sábado; outras o domingo. Umas creem na imortalidade da alma; outras não creem. Umas negam o inferno; outras afirmam-no.
Quanto aos ministérios ordenados, uma denominação constitui Bispos, presbíteros e diáconos; outras só presbíteros e pastores, ou pastores e anciãos, ou também Bispos e anciãos; outras presbíteros e diáconos; outras até inventaram Apóstolos e Bispa (embora como todos sabemos, essa última palavra nem existe. O feminino de bispo é episcopesa); outras não admitem ministro nenhum.. Umas igrejas ordenam mulheres, outras não. Outros pregam o “arrebatamento” sem julgamento; outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; uns doutrinam que após a morte já vem o céu e o inferno; outros ensinam que o inferno é temporário. Há igrejas que até admitem a poligamia. Lutero mesmo admitiu tal possibilidade: “Confesso, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras; não quisera, porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos” (Luthers M.., Briefe, Sendschreiben (…) De Wette, Berlin, 1825-1828, II. 259 ).
Essa problemática divisão no Protestantismo é a maior demonstração de que ele não pode estar com a verdade. Sobre isso, tratou Lúcio Navarro (autor recifense) no seu livro já citado “Legítima interpretação da Bíblia”:
“Era muito conceituado, em certa cidade, um professor que ensinava, havia 50 anos. As noções que ele ministrava sobre a matemática, a história, a geografia, a língua vernácula etc., as tinha recebido de outros mestres, ainda mais antigos e tão conceituados como ele, os quais por sua vez também já haviam aprendido de outros preceptores. Mas um dia apareceu um jovem aluno que se rebelou contra o ensino de seu mestre. Não lhe agradava o método usado naquelas aulas, nem concordava com o que nelas se aprendia. A seu ver, estava tudo errado. E resolveu abrir uma nova escola, em oposição à do velho e ministrando uma instrução completamente diversa. Mas todo o mundo notou logo que o ensino do jovem revolucionário era completamente desordenado: o moço titubeava, confundia-se, caía em evidentes contradições. Isto serviu para aumentar o prestígio do velho professor, que podia agora dizer com desdém de seu antagonista: vá estudar, menino, porque você ainda não está em condições para abrir uma escola!
O grande navio, pertencente a uma antiga empresa de navegação, singrava os mares em demanda do seu destino, quando o velho comandante foi surpreendido pela revolta de muitos passageiros, que o procuravam para protestar. O navio, segundo eles diziam, estava seguindo uma direção completamente errada. Pois eles entendiam também de navegação… Embora lhes faltasse a longa experiência, tinham, no entanto em mãos o mesmo livro, os mesmos mapas que serviam de guia ao comandante e a seus auxiliares e tinham chegado à mesma conclusão de que estes estavam redondamente enganados. E diante da recusa do comandante a modificar sua rota, resolveram em nome da liberdade, abandonar o navio, construir, eles próprios, suas embarcações e seguir e seguir o caminho que lhes parecia mais acertado. Boa sorte! – respondeu-lhes o comandante. Mas os passageiros que ficaram a bordo, que tinham confiança na velha empresa, no navio, naqueles que o dirigiam, nem tiveram tempo para ver surgir no seu espírito qualquer sombra de dúvida, porque logo observaram que aqueles que protestaram coalhavam o mar de barcos e barquinhos e barcaças de toda qualidade, mas cada um seguia um rumo diferente…
Esta é precisamente a história do choque entre o Protestantismo e a Igreja Católica. Alguém que esteja de parte observando a luta doutrinária, sem ser nem de um lado nem de outro, ao ver a grita dos protestantes e o entusiasmo com que vivem a citar a Bíblia, pode ainda ficar com uma certa nuvem de dúvida no seu espírito sobre se a Igreja está mesmo em perfeito acordo com as Escrituras. Mas, se tiver o cuidado de ver os protestantes, como são, como divergem, como discutem, como titubeiam e se contradizem, verá aumentar aos seus olhos o prestígio da Igreja. Ela é o antigo mestre a rir-se dos ardores do jovem revolucionário ou como o velho comandante a achar graça na cegueira dos barqueiros improvisados. Sim, porque uma coisa está clara à vista de todos: dizer que alguém está errado é muito fácil, porque falar é fôlego e cada um tem o seu modo de pensar. Mas há também o reverso da medalha: quem acusa a outro de estar em erro, tem a obrigação de mostrar como é o certo. E é aí que se mostra com evidência todo o fracasso do Protestantismo.”
A seguir ele acrescenta: “Há no protestantismo doutrinas inteiramente contrárias umas às outras e onde há contradição há erro, todos sabem disso, porque o mais universal de todos os princípios é de que uma coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo tempo.”
Foi feita uma pesquisa nos Estados Unidos demonstrando que entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja é o tamanho do estacionamento. É isso o que é hoje o Protestantismo. E a grande responsável por toda essa balbúrdia é justamente a Sola Scriptura.
Se procurarmos a vantagem dessa doutrina inventada há apenas quinhentos anos, veremos que o que ela causou foi essa enorme divisão no Protestantismo: uma clara demonstração de que se trata de doutrina meramente humana!
Krogh Tonning, famoso teólogo protestante norueguês, convertido ao Catolicismo já afirmava: “Quem trará à nossa presença uma comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem determinado? Portanto uma confusão (é a regra) mesmo dentre as matérias mais essenciais” (Le protest. Contemp., Ruine constitutionalle, p. 43 In I.R.C., Franca, L., pg 255. 7ª ed, 1953).
O próprio Lutero que apoiou-se nessa equivocada doutrina reconheceu os malefícios que ela iria causar pelos séculos afora: “Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças” (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547; De Wett III, 6l ). E mais sério ainda: “Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm” (Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).
O protestante Samuel Weren Fels disse que na Bíblia cada qual procura seus dogmas e nela os encontra.
Existem, no mundo de hoje, aproximadamente 30.000 denominações protestantes. Como poderemos explicar tais divisões? Cada uma afirma ensinar a verdade. São 30.000 espíritos santos revelando cada verdade? Ou existe apenas um Espírito Santo revelando uma verdade diferente para cada uma delas? Como explicar a razão de existir 30.000 divisões no Protestantismo e todas usando a mesma Bíblia? E o interessante é que todas garantem que estão sendo verdadeiras intérpretes da Escritura. É incrível isso. Difícil é saber realmente quem está certo diante de tão enorme divisão.
Os protestantes geralmente afirmam que todos concordam “nas coisas importantes”. Mas, onde é que ocorre isso? Além do mais, quais são essas coisas importantes? Ainda, quem é capaz, afinal, de decidir com autoridade dentro do Protestantismo o que é importante na fé cristã e o que não é, se o livre exame nega a existência de uma autoridade?
Diante de tudo isso, os solas cripturistas alegam que a Tradição também não impediu a divisão doutrinária entre nós católicos e ortodoxos e nem mesmo entre nós católicos. No entanto, embora a Sagrada Tradição não tenha impedido a divisão doutrinária entre Católicos e Ortodoxos, pela própria natureza desta divisão, ela não corrobora com isto, ao contrário da Sola Scriptura (já que embute em si própria a doutrina do Livre Exame, que torna cada leitor o seu próprio mestre.). Contrariamente à Sola Scriptura, é exatamente a Sagrada Tradição que possibilita o encontro de cristãos católicos e ortodoxos. Quanto à divisão no seio do próprio Catolicismo notemos também que ele é facilmente solucionável: quando um católico se vê diante de ideias conflitantes, ele consulta a posição oficial da Igreja e relaxa tranquilo, pois ele tem certeza que a interpretação eclesiástica lhe responde séria e verdadeiramente. Como dizia Sto. Agostinho: “Roma locuta, causa finita est.” (Roma falou, acabou-se a questão). No Protestantismo, porém, é totalmente o inverso, porque quando um fiel é acometido de uma dúvida doutrinária e ele vai a um pastor para tirar-lhe a dúvida, irá deparar-se com uma opinião particular, pessoal, consequentemente ele não relaxará tranquilo. De fato, no sistema protestante é impossível alguém ter a certeza plena daquilo que diz crer, pois eles confessam abertamente que não há autoridade infalível para nos explicar a Bíblia. E como dizem isso e confessam não serem infalíveis (e se dissessem seriam usurpadores), como, então, poderá um evangélico relaxar tranquilo crente de que crer na verdade? E aqui ocorre o que eu acho interessante: é que apesar de confessarem a sua falibilidade, os solascripturistas ainda querem nos convencer de que nós católicos interpretamos erradamente as Sagradas Escrituras e que eles é que são os legítimos intérpretes. Como, eu não sei, pois diante da Babel de interpretações não sei no que afinal querem que nós católicos creiamos. Além disso, com que pretensão fazem isso, pois se eles não são autoridades definitivas na interpretação bíblica, como querem nos coagir na nossa interpretação? Afinal, todos têm direito à livre-interpretação, menos nós católicos? Há algum versículo bíblico que proíbam os católicos de livremente interpretarem sua Bíblia? Onde?
Na realidade, no sistema protestante ninguém pode garantir quem interpreta certo ou errado a Bíblia. Primeiro porque não acreditam em uma autoridade final para nos garantir essa única interpretação e segundo, porque qualquer denominação pode reivindicar o seu direito do livre-exame. Que autoridade tem qualquer denominação para garantir que a interpretação da outra é errada e que só a dela é a certa?
Certa vez disse Nosso Senhor: “Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos” (Mateus 7:17). Se julgarmos a Sola Scriptura pelos seus frutos, chegaremos a conclusão de que essa árvore deve ser cortada, e lançada ao fogo (Mt 7,19).