sexta-feira, 1 de abril de 2016

Regina Coeli, 28 de março de 2016, Segunda-feira do Anjo


Praça São Pedro
Segunda-feira do Anjo, 28 de Março de 2016
Amados irmãos e irmãs!
Nesta Segunda-feira depois da Páscoa, chamada «Segunda-feira do Anjo» os nossos corações estão ainda repletos da alegria pascal. Depois do tempo quaresmal, tempo de penitência e de conversão, que a Igreja viveu com particular intensidade neste Ano Santo da Misericórdia; depois das sugestivas celebrações do Tríduo Santo; detenhamo-nos também hoje diante do túmulo vazio de Jesus, e meditemos com admiração e gratidão o grande mistério da ressurreição do Senhor.
A vida venceu a morte. A misericórdia e o amor venceram sobre o pecado! Há necessidade de fé e de esperança para se abrir a este novo e maravilhoso horizonte. E nós sabemos que a fé e a esperança são um dom de Deus, e devemos pedi-lo: «Senhor, concede-me a fé, concede-me a esperança! Temos necessidade delas!» Deixemo-nos dominar pelas emoções que ressoam na sequência pascal: «Sim, disto temos a certeza: verdadeiramente Cristo ressuscitou». O Senhor ressuscitou no meio de nós! Esta verdade marcou de maneira indelével a vida dos Apóstolos que, depois da ressurreição, sentiram de novo a necessidade de seguir o seu Mestre e, tendo recebido o Espírito Santo, foram sem receio anunciar a todos quanto tinham visto e ouvido com os seus olhos e vivido pessoalmente.
Neste Ano jubilar somos chamados a redescobrir e a acolher com particular intensidade o anúncio confortador da ressurreição: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!». Se Cristo ressuscitou, podemos olhar com olhos e o coração novos para qualquer evento da nossa vida, até para os mais negativos. Os momentos de escuridão, de falência e até de pecado podem transformar-se e anunciar um caminho novo. Quando tocámos o fundo da nossa miséria e da nossa debilidade, Cristo ressuscitado dá-nos a força para nos erguermos. Se nos confiarmos a Ele, a sua graça salva-nos! O Senhor crucificado e ressuscitado é a revelação plena da misericórdia, presente e ativa na história. Eis a mensagem pascal que ressoa ainda hoje e que ressoará durante todo o tempo de Páscoa até ao Pentecostes.
Testemunha silenciosa dos eventos da paixão e da ressurreição de Jesus foi Maria. Ela esteve de pé ao lado da cruz: não se resignou diante da dor, mas a sua fé tornou-a forte. No seu coração atormentado de mãe permaneceu sempre acesa a chama da esperança. Pedimos a Ela que ajude também a nós a acolher em plenitude o anúncio pascal da ressurreição, para o encarnar concretamente na nossa vida diária.
A Virgem Maria nos conceda a certeza de fé que cada passo sofrido do nosso caminho, iluminado pela luz da Páscoa, se tornará bênção e alegria para nós e para os outros, sobretudo para quantos sofrem por causa do egoísmo e da indiferença.
Por conseguinte, invoquemo-La com fé e devoção, com o Regina caeli, a oração que substitui o Angelus durante todo o tempo pascal.
Depois do Angelus
Amados irmãos e irmãs!
Ontem, no Paquistão central, a Santa Páscoa foi ensanguentada por um execrável atentado, que assassinou tantas pessoas inocentes, na maioria famílias da minoria cristã — especialmente mulheres e crianças — que se encontravam num parque público para passar com alegria a festa pascal. Desejo manifestar a minha proximidade a quantos foram atingidos por este crime vil e insensato, e convido a rezar ao Senhor pelas numerosas vítimas e pelos seus entes queridos. Faço apelo às Autoridades civis e a todas as componentes sociais daquela Nação, para que realizem todos os esforços a fim de voltar a dar segurança e serenidade à população e, em particular, às minorias religiosas mais vulneráveis. Repito mais uma vez que a violência e o ódio homicida levam unicamente ao sofrimento e à destruição; o respeito e a fraternidade são a única via para alcançar a paz. A Páscoa do Senhor suscite em nós, de maneira ainda mais forte, a oração a Deus para que sejam detidas as mãos dos violentos, que semeiam terror e morte, e possam reinar no mundo o amor, a justiça e a reconciliação. Rezemos todos pelos mortos deste atentado, pelos familiares, pelas minorias cristãs e étnicas daquela Nação: Ave Maria,...
No perdurante clima pascal, saúdo cordialmente todos vós, peregrinos vindos da Itália e de várias partes do mundo para participar neste momento de oração. E recordai-vos sempre daquela bonita expressão da Liturgia: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!». E digamos por três vezes todos juntos. Cristo, minha esperança, ressuscitou!
Desejo que cada um passe na alegria e na serenidade esta Semana na qual se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo. Para viver mais intensamente este período far-nos-á bem ler todos os dias um trecho do Evangelho no qual se fala do evento da Ressurreição. Cinco minutos, não mais, pode-se ler um trecho do Evangelho. Recordai-vos disto!
Boa e Santa Páscoa a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Entenda o significado do beijo na Cruz na Sexta-feira Santa

Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida
Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.).
Esta celebração é dividida em três partes: a primeira é a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda é a adoração da Santa Cruz e a terceira é a Comunhão Eucarística, juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Memorial não é apenas relembrar ou fazer memória dos fatos, é realmente celebrar agora, buscando fazer presente, atual, tudo aquilo que Deus realizou em outros tempos. Mergulhamos no tempo para nos encontrarmos com a graça de Deus no momento que operou a salvação e, ao retornarmos deste mergulho, a trazemos em nós.
Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém nos descrevem, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue.
Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crufixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar. Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não pára ali, é beijar a face de Jesus. Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverênciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o fato que foi através da Cruz que fomos salvos.
Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. “Jesus está vivo!” Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o simbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha conosco em nossa via sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.
Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.

SIGNIFICADO DA SEXTA-FEIRA SANTA


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A Sexta-feira Santa, ou 'Sexta-feira da Paixão', é a Sexta-feira antes do Domingo de Páscoa. É a data em que os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos. 

Segundo a tradição cristã, a ressurreição de Cristo aconteceu no domingo seguinte ao dia 14 de Nisã, no calendário hebraico. A mesma tradição refere ser esse o terceiro dia desde a morte. Assim, contando a partir do domingo, e sabendo que o costume judaico, tal como o romano, contava o primeiro e o último dia, chega-se à sexta-feira como dia da morte de Cristo.

A Sexta-feira Santa é um feriado móvel que serve de referência para outras datas. É calculado como sendo a primeira Sexta-feira de lua cheia após o equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

Na Igreja Católica, este dia pertence ao Tríduo pascal, o mais importante período do ano litúrgico. A Igreja celebra e contempla a paixão e morte de Cristo, pelo que é o único dia em que não se celebra, em absoluto, a Eucaristia.

Por ser um dia em que se contempla de modo especial Cristo crucificado, as regras litúrgicas prescrevem que neste dia e no seguinte (Sábado Santo) se venere o crucifixo com o gesto da genuflexão, ou seja, de joelhos.

No entanto, mesmo sem a celebração da missa, tem lugar, no rito romano, uma celebração litúrgica própria deste dia. Tal celebração tem alguma semelhança com a celebração da Eucaristia, na sua estrutura, mas difere essencialmente desta pelo facto de não ter Oração eucarística, a mais importante parte da missa católica.

A celebração da morte do Senhor consiste, resumidamente, na adoração de Cristo crucificado, precedida por uma liturgia da Palavra e seguida pela comunhão eucarística dos participantes. Presidida por um presbítero ou bispo, paramentado como para a missa, de cor vermelha, a celebração segue esta estrutura:

  • Entrada em silêncio do presidente e dos ministros, que se prostram em adoração diante do altar oração colecta.
  • Liturgia da Palavra: leitura do livro de Isaías (quarto cântico do servo de Javé, Is 52,13-53,12), salmo 31 (30), leitura da Epístola aos Hebreus (Hebr 4, 14-16; 5, 7-9), aclamação ao Evangelho e leitura do Evangelho da Paixão segundo João (Jo 18,1-19,42, geralmente em forma dialogada).
  • Homilia e silêncio de reflexão.
  • Oração Universal, mais longa e solene do que a da missa, seguindo o esquema intenção – silêncio – oração do presidente.
  • Adoração da Cruz: a cruz é apresentada aos fiéis e adorada ao som de cânticos.
  • Pai Nosso
  • Comunhão dos fiéis presentes. Toma-se pão consagrado no dia anterior, Quinta-Feira Santa.
  • Oração depois da comunhão.
  • Oração sobre o povo. 

    Obs: Em muitas cidades históricas como: Paraty, Ouro Preto, Pirenópolis e Jaraguá - GO a Celebração da Paixão e Morte do Senhor é procedida da Procissão do Enterro, também conhecida como Procissão do Senhor Morto, em que são cantados motetos em latim.

    Toda a liturgia católica deste dia está em função de Cristo crucificado. Assim, a liturgia da Palavra pretende introduzir os fiéis no mistério do sofrimento e da morte de Jesus, que assim aparece como uma acção livre de Cristo em ordem à salvação de toda a humanidade.

    A veneração da cruz, símbolo da salvação, pretende dar expressão concreta à adoração de Cristo crucificado.

    A comunhão eucarística é, para a Igreja, a forma mais perfeita de união com o Mistério pascal de Cristo, e por isso é um ponto culminante na união dos fiéis com Cristo crucificado. O fato de se comungar do pão consagrado no dia anterior vem exprimir e reforçar a unidade de todo o Tríduo Pascal.

    Além da celebração da Paixão do Senhor, rezam-se as diversas horas litúrgicas da Liturgia das Horas.

A Igreja exorta os fiéis a que neste dia observem alguns sinais de penitência, em respeito e veneração pela morte de Cristo. Assim, convida-os à prática do jejum e da abstinência da carne.

Exercícios piedosos, como a Via Sacra e o Rosário, são também recomendados como forma de assinalar este dia especialmente importante para a fé cristã.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Quinta-feira Santa - - Eucaristia: Sacramento do amor Por: Dom Eduardo Koaik Bispo Emérito de Piracicaba

A celebração da Semana Santa encontra seu ápice no Tríduo Pascal, que compreende a Quinta-feira Santa, a sexta-feira da paixão e morte do Senhor e a solene Vigília Pascal, no sábado à noite. Esses três dias formam uma grande celebração da páscoa memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

A liturgia da Quinta-feira Santa nos fala do amor, com a cerimônia do Lava-pés, a proclamação do novo mandamento, a instituição do sacerdócio ministerial e a instituição da Eucaristia, em que Jesus se faz nosso alimento, dando-nos seu corpo e sangue. É a manifestação profunda do seu amor por nós, amor que foi até onde podia ir: "Como Ele amasse os seus amou-os até o fim". 

A Eucaristia é o amor maior, que se exprime mediante tríplice exigência: do sacrifício, da presença e da comunhão. O amor exige sacrifício e a Eucaristia significa e realiza o sacrifício da cruz na forma de ceia pascal. Nos sinais do pão e do vinho, Jesus se oferece como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo: "Ele tomou o pão, deu graças, partiu-o e distribuiu a eles dizendo: isto é o meu Corpo que é dado por vós.

Fazei isto em memória de ' mim. E depois de comer, fez o mesmo com o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22,19-20). Pão dado, sangue derramado pela redenção do mundo. Eis aí o sacrifício como exigência do amor.

O amor, além do sacrifício, exige presença. A Eucaristia é a presença real do Senhor que faz dos sacrários de nossas Igrejas centro da vida e da oração dos fiéis. 

A fé cristã vê no sacrário de nossas igrejas a morada do Senhor plantada ao lado da morada dos homens, não os deixando órfãos, fazendo-lhes companhia, partilhando com eles as alegrias e as tristezas da vida, ensinando-lhes o significado da verdadeira solidariedade: "Estarei ao lado de vocês como amigo todos os momentos da vida". Eis a presença, outra exigência do amor.

A Eucaristia, presença real do Amigo no tabernáculo de nossos templos, tem sido fonte da piedade popular como demonstra o hábito da visita ao Santíssimo e da adoração na Hora Santa. Impossível crer nessa presença e não acolhê-la nas situações concretas do dia-a-dia. 

Vida eucarística é vida solidária com os pobres e necessitados. Não posso esquecer a corajosa expressão de Madre Teresa de Calcutá que, com a autoridade do seu impressionante testemunho de dedicação aos mais abandonados da sociedade, dizia: "A hora santa diante da Eucaristia deve nos conduzir até a hora santa diante dos pobres. Nossa Eucaristia é incompleta se não levar-nos ao serviço dos pobres por amor."

O amor não só exige sacrifício e presença, mas exige também comunhão. Na intimidade do diálogo da última Ceia, Jesus orou com este sentimento de comunhão com o Pai e com os seus discípulos: "Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti... que eles estejam em nós" (Jo 17,20-21).

Jesus Eucarístico é o caminho que leva a esta comunhão ideal. Comer sua carne e beber seu sangue é identificar-se com Ele no modo de pensar, nos sentimentos e na conduta da vida. Todos que se identificam com Ele passam a ter a mesma identidade entre si: são chamados de irmãos seus e o são de verdade, não pelo sangue, mas pela fé. Eucaristia é vida partilhada com os irmãos. Eis a comunhão como exigência do amor.

Vida eucarística é amar como Jesus amou. Não é simplesmente amar na medida dos homens o que chamamos de filantropia. É amar na medida de Deus o que chamamos de caridade. A caridade nunca enxerga o outro na posição de inferioridade. É a capacidade de sair de si e colocar-se no lugar do outro com sentimento de compaixão, ou seja, de solidariedade com o sofrimento do outro. Caridade é ter com o outro uma relação de semelhança e reconhecer-se no lugar em que o outro se encontra...

Na morte redentora na cruz, Cristo realiza a suprema medida da caridade "dando sua vida" e amando seus inimigos no gesto do perdão: "Pai, perdoai-lhes pois eles não sabem o que fazem." A Eucaristia não deixa ficar esquecido no passado esse gesto, que é a prova maior do amor de Deus por nós. Para isso, deixa-nos o mandamento: "Façam isso em minha memória".

Caridade solidária é o gesto de descer até o necessitado para tirá-lo da sua miséria e trazê-lo de volta a sua dignidade. A Eucaristia é o gesto da caridade solidária de Deus pela humanidade. "Eu sou o Pão da vida que desceu do céu. Quem come deste Pão vencerá a morte e terá vida para sempre".

quarta-feira, 9 de março de 2016

Retiro do Papa: Jesus é o mestre do coração

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retiro papa
“Jesus é o mestre do coração, Jesus não dá lições, não sugere respostas, conduz com delicadeza a procurar dentro de nós”, afirma o padre Ronchi, pregador dos exercícios espirituais para o Papa e a Cúria
A Igreja saiba “colocar-se à parte” para que no seu anúncio faça brilhar sempre o rosto de Deus – não ela mesma. É a exortação feita pelo Padre Ermes Ronchi na quarta meditação dos exercícios espirituais que ele prega ao Papa Francisco e à Cúria Romana, na Casa “Divino Mestre”, em Ariccia. A inspiração da reflexão da manhã desta terça-feira (08/03), veio da passagem em que Pedro faz a sua profissão de fé em Cristo.
A pergunta que Jesus faz aos discípulos ressoa no reparo do “lugar afastado” para onde o Mestre conduziu os discípulos. Por qualquer momento nada de reuniões e o barulho da multidão, mas somente “silêncio, solicitude e oração”. Somente um momento de intimidade “entre eles e entre eles e Deus”. E neste silêncio, aquela pergunta de Jesus que parece uma sondagem de opinião: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”.
O melhor negócio da minha vida
No silêncio análogo do retiro em Ariccia, Padre Ermes Ronchi coloca o Papa e sues colaboradores da Cúria diante da mesma solicitação. E, sobretudo, àquele “mas” que Jesus acrescenta, que percorre a alma: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”. Um modo para dizer aos seus – observa Padre Ronchi, de não se contentar daquilo que dizem as pessoas, porque “a fé não avança por ter ouvido falar”:
“A resposta que Jesus procura não são palavras. Ele procura pessoas. Não definições, mas envolvimentos: o que te aconteceu, quando me encontraste? Jesus é o mestre do coração, Jesus não dá lições, não sugere respostas, conduz com delicadeza a procurar dentro de nós. E eu gostaria de poder responder: te encontrar foi o melhor negócio da minha vida. Foste a melhor coisa que jamais me aconteceu”.
A fé caminha
“Quem sou eu para ti”? é uma pergunta de “enamorados”, diz o pregador dos exercícios. E o que surpreende é que Jesus “não doutrina ninguém”. Os discípulos não devem temer em dar respostas prontas àquela pergunta, “não há nenhum Credo a ser composto”, afirma Padre Ronchi. A Jesus interessa saber se os seus abriram o coração. Afirmar, como faz Pedro, que Cristo é “o filho do Deus Vivo” é uma verdade que tem sentido se Cristo “está vivo dentro de nós”.
“O nosso coração – diz ainda o pregador – pode ser o berço ou a sepultura de Deus”:
“Querem realmente saber algo sobre mim, diz Jesus, e ao mesmo tempo sobre vocês? Temos um compromisso: um homem na cruz. Um que é colocado no alto. Antes ainda, quinta-feira, o compromisso de Cristo será um outro: um que está em um lugar abaixo. Que pega um pano e se inclina para lavar os pés dos seus (…) Razão a Paulo: o cristianismo é escândalo e loucura. Agora entendemos quem é Jesus: é beijo a quem o trai. Não divide ninguém, divide a si mesmo. Não derrama o sangue de ninguém, derrama o seu sangue. Não sacrifica ninguém, sacrifica a si mesmo”.
“Refletores” em Cristo
Até o momento daquela pergunta feita no silêncio, o discípulos não tinham ainda entendido o que estava prestes a acontecer a seu Mestre. Por isso Jesus é rigoroso ao impor-lhes de não dizer nada a ninguém. “Um comando severo” que “chega a toda a Igreja”, destaca o pregador, “porque às vezes já pregamos um rosto deformado de Deus”.
Nós, eclesiásticos, nota Padre Ronchi, “parecemos todos iguais” – mesmos gestos, palavras, vestidos. Mas as pessoas se perguntam: “Diga-me a sua experiência de Deus”. E Cristo, prossegue, “não é aquilo que digo Dele mas aquilo que vivo Dele”. “Não somos nós o mediadores entre Deus e a humanidade, o verdadeiro mediador é Jesus”, conclui o pregador. Como João Batista, devemos preparar a estrada e “colocar-nos à parte”.
“Pensem na beleza de um igreja que não acende os refletores sobre ela mesma – como nestes dias aqui recolhidos – mas sobre um Outro. Temos ainda um caminho a percorrer. Diminuir (…) Jesus não diz “pegue a minha cruz”, mas a sua, cada um a sua (…) O sonho de Deus não é um cortejo sem medidas de homens, mulheres e crianças, cada um com a sua cruz sobre os ombros. Mas de pessoas encaminhadas em direção a uma vida boa, contente e criativa. Uma vida que tem um preço tenaz de compromisso e perseverança. Mas também um preço doce, de luz: no terceiro dia ressuscitará”.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Filho pródigo, pai misericordioso


O-pai-misericordioso-e-os-dois-filhos (1)O Tempo da Quaresma continua. Um programa de renovação da vida cristã. Começou por viver os quarenta dias de deserto de Cristo Jesus para preparar a pregação do Evangelho.O básico está no Convertei-vos e crede no Evangelho. Escutamos de Jesus a narração de uma de suas parábolas mais belas, a do filho pródigo. Nela o verdadeiro protagonista é o Pai, que na sua misericórdia reconcilia os seus filhos consigo.Também nós, como o filho pródigo, nos afastamos do Pai, ao menos algumas vezes, ainda que nos custe admitir.
Talvez seja a página mais conhecida de todos os Evangelhos. Muitos não crentes a conhecem. Inspirou poetas, escritores. A aventura deste jovem desordenado, com grande vontade de viver e gastar tudo, depois reduzido à miséria, volta à casa paterna mas não ousa nem mesmo pedir perdão. De longe o pai com o coração cheio de alegria esquecendo o passado prepara uma festa. Uma história de jovens de todos os tempos, hoje submetidos na maioria às drogas.
Esta parábola (Lucas 15,1-3.11-32)supõe algumas explicações. Jesus certamente contou esta história endereçada aos fariseus e escribas que murmuravam contra Jesus, porque ele recebia pecadores e comia com eles. Reprovavam ao Senhor que veio para salvar os pecadores, de estar com eles, de familiarizar-se com eles e de fazer-se amigo deles. Fariseus e escribas julgavam-se os justos.
As categorias de pessoas com as quais Jesus devia misturar-se todos os dias são portanto duas: os chamados pecadores que Jesus frequentava bastante, e os chamados justos que o olhavam de longe com olhos malévolos. As duas categorias parecem coincidir com os dois filhos.
O rapaz desordenado no final tornou-se capaz de recuperação inesperada, capaz de conversão. Entra em si mesmo,toma consciência das loucuras que fez, reconhece o próprio erro, se arrepende, volta e obtém o perdão.  Ao contrário o jovem julgado bom,obediente, exemplar, revela-se egoísta, hostil para com seu irmão. Não se alegra porque seu irmão voltou, mas o reprova e faz-se ofendido. Gloria-se de seus méritos. Revolta-se contra o perdão dado pelo pai.
Sobretudo na narração aparece a figura paterna de Deus: o velho pai que ama os filhos, mesmo quando se desviam, porque são seus, que espera com ânsia o que se perdeu, e espera poder reavê-lo são e salvo em casa, e cada dia fica a olhar o horizonte na espera do retorno, que apareça no horizonte. Depois explode na alegria e no perdão, e faz grande festa. A simpatia de Jesus vai ao filho pródigo, não porque dissipa e peca, mas porque é capaz de conversão e retorno ao Pai. Alguns acham que estão representados no filho fiel que permaneceu em casa; de fato são reprovados por Jesus por mesquinhez, obediência penosa, hipocrisia porque se revelam incapazes de amar um seu irmão.
Jesus portanto contou a parábola por tantos motivos: para justificar a sua atitude de receber os pecadores convidando-os à conversão, e tomar distância de quem por hipocrisia se comporta aparentemente como homem justo quando na realidade não o é. E,sobretudo quis celebrar a misericórdia de seu Pai Celeste. O personagem principal da narração não é o filho pródigo e tanto menos o filho obediente, mas o pai, com sua ânsia e seu amor. É portanto o pai misericordioso.
Assim Jesus nos revela o verdadeiro rosto de Deus: pai amoroso e pronto ao perdão. Revela que a sua própria missão é de procurar os pecadores, chamá-los à conversão do coração, e salvar o que estava perdido.  E nos coloca de sobreaviso no julgar muito depressa os outros.
Jesus nos recorda o estilo de vida dos fariseus e nos admoesta: não julguemos os outros, não os condenemos. Eles podem também errar, mas são filhos de Deus, igualmente amados, podem converter-se e voltar ao Pai.
Se temos delicadeza de consciência,descobrimos que também nós não somos irrepreensíveis, somos como o filho pródigo, desperdiçamos os dons de Deus. Somos caridosos com nossos familiares, amigos, mas não com os outros. Existe gente perto de nós que sofre e precisa de ajuda e não nos tocamos. Jesus quer ter um encontro com cada um de nós.
Cardeal Geraldo Majella Agnelo

domingo, 6 de março de 2016

A verdadeira alegria da castidade


paixao-amorA juventude é um tempo em que estamos particularmente predispostos à alegria; à procura de divertimentos; abertos à novas experiências e sensações. É um tempo em que é praticamente impossível ficar parado! Nos envolvemos fácil e naturalmente em atividades agitadas que possam nos proporcionar “felicidade”, algum prazer, uma sensação de liberdade, de potência; de juventude mesmo. Temos necessidade de certa dose de aventura, precisamos descarregar adrenalina, colocar para fora toda a energia que temos armazenada em nós; e isso é muito bom. É sinal da nossa juventude, vitalidade e saúde física e mental.
Para encontrar o que procuramos, nos são oferecidas inúmeras opções. Esportes radicais para todos os gostos: rappel, mountain bike, trilha, skate, surf, bungee jump, alpinismo, snowboard (…); Filmes de todos os gêneros: drama, policial, aventura, suspense, ficção científica, romance “água com açúcar”; tudo isso sem falar nos muitos tipos de Festa que aparecem por aí todos os dias: festa à fantasia, luau “não sei de quê”, uma noite “não sei onde”, as raves (aquelas festas meio clandestinas em que se ouve música e se dança ao ar livre ou em tendas), festivais de rock… há também aquelas festas cujo tema são bebidas alcóolicas: festa da Tequila, festival da cerveja… Além de músicas nos mais variados ritmos, com letras com igual (ou até maior) variedade de níveis, para “dançar a noite inteira” ou então para “ouvir comendo chocolate”, como se costuma falar…
Sem dúvida, um verdadeiro banquete para os nossos sentidos!
Como sabemos, os sentidos são como que portas que dão aceso à nossa alma; e justamente por isso precisamos ter todo cuidado com aquilo que, de certa forma, permitimos que passe através delas. O bombardeio de sons, palavras, imagens, sensações enfim, nos fragiliza, nos deixa praticamente sem defesa; acaba por roubar nosso coração e pensamento do Bom, do Belo e surge em nossa consciência uma espécie de cortina de fumaça, que dificulta a distinção, a separação do que é bom e lícito para nós, daquilo que não nos convém como cristãos, como filhos muitíssimo amados de Deus. Desse modo, acabamos por expor nossa alma, nosso ser mais íntimo e as nossas faculdades (memória, afetividade… e especialmente a imaginação) à contaminações e feridas que poderiam muito bem ser evitadas se soubéssemos nos preservar, se ficássemos mais atentos ao que “engolimos” através dos nossos sentidos.
Selecionar nossos divertimentos de modo algum nos fará “menos jovens”; mas certamente nos tornará mais responsáveis por nós mesmos e pelas nossas escolhas, jovens maduros, que sabem do valor inestimável que têm e por isso zelam por si mesmos e pelos outros. Não é, de modo algum, impossível ser jovem, ser alegre e se divertir (e muito!) de maneira saudável; sem abrir espaço ao pecado e à contaminação pela via dos sentidos.
É preciso que tenhamos sempre a consciência de que somos Templo do Espírito Santo (cf. I Cor 6,19) e, portanto, precisamos vigiar rigorosamente a entrada da habitação do Senhor e glorificá-lo na nossa vida e no nosso corpo.
É urgente que estejamos atentos sempre e em todo lugar; que deixemos as obras das trevas e vistamos as armas da luz, assim nos fala S. Paulo na sua carta aos Romanos (cf. Rm 13, 11-14). Ele continua: “vivamos honestamente, como em pleno dia: não em orgias e bebedeiras, prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não sigais os desejos dos instintos egoístas”. Como vemos, a sociedade daquele tempo tinha feridas parecidas com as nossas, não é verdade?
Então, em vez de ocuparmos nossos sentidos e faculdades com divertimentos que não fazem outra coisa senão nos empurrar para o pecado; nos “ocupemos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor”. (cf. Fl 4,8) Assim seremos capazes de uma alegria perene, que não está condicionada ao uso de entorpecentes ou qualquer coisa semelhante, e principalmente, seremos capazes de divertimentos verdadeiros, que não contrariem nossa natureza.
Como jovens cristãos precisamos, sim, nos divertir. Mais ainda, precisamos ser alegres; mas acima de tudo, temos em nosso coração uma necessidade profunda de nos preservar daquilo que nos corrompe e afasta do Amor, sentido último da nossa existência.
Zelar pela nossa pureza, pela correção do nosso modo de agir, de vestir e de nos comportar; lutar pela pureza do nosso olhar, pela castidade no nosso modo de dançar; nos nossos relacionamentos cotidianos; selecionar as músicas que ouvimos; os lugares que frequentamos; os filmes e programas que assistimos, nos recusando a prestigiar espetáculos degradantes… Tudo isso reflete a profunda gratidão do nosso coração ao Deus que nos ama e nos fez de modo tão maravilhoso!
 Comunidade Católica Shalom